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Segurança Pública

A infiltração do crime organizado na administração pública

A infiltração do crime organizado na administração pública

Citando a Operação Carbono Oculto, o Promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao crime organizado, especialmente às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), destacou diversos aspectos relacionados à criminalidade e à infiltração das organizações criminosas em setores da administração pública.

Crime organizado na administração pública

Para o promotor, os investimentos dos governos federal e estaduais no combate às organizações criminosas ainda são insuficientes, sobretudo quando os recursos são liberados no fim de uma gestão ou em anos eleitorais.

Segundo Gakiya, estruturar as polícias, por si só, não é suficiente para enfrentar o crime organizado. É necessário, também, valorizar os profissionais da segurança pública e capacitá-los para combater essas organizações com base na inteligência policial, que vai muito além da aquisição de armamentos, coletes balísticos e da realização de incursões operacionais.

Ações sociais no enfrentamento ao crime

No enfrentamento às organizações criminosas, o Estado precisa assumir o compromisso de retomar o controle das comunidades por meio de ações sociais efetivas, retirando das facções o domínio sobre serviços essenciais, como o fornecimento de gás, internet, energia elétrica e outros serviços públicos que foram apropriados pelos criminosos.

Ao citar o PCC, o promotor afirmou que a facção vem injetando recursos provenientes do crime na economia formal, promovendo a lavagem de dinheiro por meio de empresas privadas e buscando infiltrar-se em contratos públicos, inclusive participando de processos licitatórios em prefeituras e órgãos estaduais. Como exemplo, mencionou a exploração do transporte público e destacou a Operação Carbono Oculto.

Operação Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto foi uma grande ação policial deflagrada em agosto de 2025, que desarticulou parte da estrutura financeira utilizada pelo PCC para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas por meio de postos de combustíveis. A operação contou com a atuação da Receita Federal, do Ministério Público de São Paulo e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Para Lincoln Gakiya, investir em tecnologia e fortalecer as corregedorias das instituições policiais são medidas fundamentais no combate ao crime organizado. Segundo ele, tanto o PCC quanto o CV contam com a colaboração de agentes públicos para obter informações privilegiadas e facilitar sua infiltração em áreas sensíveis da administração pública.

Serviço público no poder do crime

O promotor ressaltou, ainda, que organizações criminosas como o PCC e o CV estão profundamente infiltradas em diversos setores da sociedade, inclusive na política, patrocinando campanhas eleitorais e contribuindo para a eleição de vereadores, deputados estaduais e deputados federais.

Esse cenário cria sucessivas camadas de proteção às organizações criminosas, dificultando significativamente o trabalho investigativo das forças de segurança. A atuação dessas facções em ambientes de difícil acesso exige um elevado nível de inteligência policial, integração entre os órgãos de segurança e estratégias cada vez mais sofisticadas para identificar e responsabilizar os grupos que atuam em favor do crime organizado.
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Izaías Sousa / Especialista em Segurança

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